Fundada em 26 de janeiro de 1972 · Rio de Janeiro
A construção de uma entidade começa em seu nascedouro, quando ainda é semente, na forma de ideia, para depois desenvolver-se. Assim foi com a Academia Brasileira de Medicina de Reabilitação – ABMR, originária de um contexto histórico favorável e gerada por ilustres médicos, preocupados com o desenvolvimento da medicina de reabilitação.
A atual diretoria, hoje muito bem representada pelo Prof. Dr. Hilton Koch, dá continuidade ao patrimônio de realizações acumuladas pela Academia ao longo de todos esses anos.
A década de 70 caracterizou-se por um ambiente favorável para a Reabilitação Profissional em todo o país. O Instituto de Previdência Social – INPS, que fazia parte do Ministério do Trabalho e da Previdência Social – MTPS, tinha em pauta a iniciativa de construção e de ativação de Centros de Reabilitação Profissional em todas as capitais dos estados brasileiros. Esta iniciativa ocorreu com o ministro Prof. Júlio Barata.
Paralelamente, foi realizado um convênio entre a Associação Médica Brasileira – AMB e as Sociedades Médicas para a concessão de título de especialista. Na ocasião, a Sociedade Brasileira de Medicina Física e Reabilitação era presidida pelo Dr. Márcio de Lima Castro, com sede em Belo Horizonte. Esta medida fortaleceu as sociedades médicas que passaram a ter o apoio e a tutela da AMB e, posteriormente, também do Conselho Federal de Medicina – CFM.
Sobre os preparativos para a fundação da ABMR, o depoimento do acadêmico Araújo Leitão informa desde a motivação até os fundamentos primordiais.
A iniciativa partiu de um grupo de três médicos que decidiram criar uma Academia de Medicina, semelhante em estrutura às congêneres existentes no país, mas diferente no tocante à filosofia; e que desenvolvesse um trabalho fundamentado na concepção de que um médico, de qualquer especialidade, durante sua prática clínica, contribui sempre, de alguma forma e em algum momento, para a reabilitação do seu paciente.
A ideia de criação da ABMR ocorreu no gabinete do Dr. Odir Mendes Pereira, que na ocasião era o diretor do Departamento de Reabilitação Profissional da Secretaria de Serviços Previdenciários do INPS. Estavam presentes o Dr. Odir Mendes Pereira, o Dr. Hilton Baptista e o Dr. R. E. de Araujo Leitão, que passaram a partir de então a elaborarem uma academia de reabilitação com a finalidade de consultoria para o INPS e o MTPS. Nesta ocasião, o Prof. Deolindo Couto recomendou os estatutos da Academia Nacional de Medicina como paradigma para a elaboração dos Estatutos da nova confraria.
A ideia de criar a ABMR surgiu no gabinete do Dr. Odir M. Pereira, então Diretor do Departamento de Reabilitação Profissional dos Serviços de Previdência Social do INPS. Participaram ativamente dessa concepção o Dr. H. Baptista e o Dr. R. E. de Araújo Leitão, que trabalharam para estabelecer esta academia consultiva para o INPS e o MTPS. Sob a orientação do Prof. Deolindo Couto, os estatutos acadêmicos foram adaptados às necessidades da nova instituição.
A ABMR foi fundada na sede da Associação Médica do Rio de Janeiro, tendo como Presidente da Mesa o Dr. Renato C. Bonfim e como Secretário o Dr. Hilton Baptista.
Conforme discurso do Prof. R. E. de Araújo Leitão, a academia visava "congregar os nomes mais proeminentes das diversas especialidades dedicadas à reabilitação", com absoluto respeito à Sociedade Brasileira de Medicina Física e Reabilitação, sendo concebida como instituição complementar, nunca concorrente.
A instalação formal ocorreu no Auditório Miguel Couto, na Academia Nacional de Medicina, com a presença do Ministro da Previdência Social Prof. Júlio Barata, do Presidente da Academia Nacional de Medicina Prof. José Leme Lopes e de diversas autoridades convidadas.
Na ocasião, os membros fundadores receberam medalhas e colares em cerimônia solene.
A comemoração do 35º aniversário foi orada por Omar da Rosa Santos, que destacou a presença simbólica de exatos trinta e cinco membros — um para cada ano de esforço institucional. O orador traçou a linhagem acadêmica: Academia Imperial (1829), Academia Médica Militar Brasileira (1941) e ABMR (1972), ressaltando a missão desta última no avanço da ciência médica.
O Prof. Edson Araújo Leitão recebeu o título de Presidente de Honra. Em seu discurso, destacou a composição multidisciplinar da academia e a necessidade de integração entre a medicina clínica, cirúrgica e de reabilitação. A ABMR conta com 70 cadeiras ocupadas por médicos ilustres de diversas especialidades e estados brasileiros.
| Cargo | Nome |
|---|---|
| Presidente | Prof. R. E. de Araújo Leitão |
| 1º Vice-Presidente | Dr. Renato C. Bonfim |
| 2º Vice-Presidente | Dr. Odir M. Pereira |
| Secretário Geral | Dr. Juercio S. Brandão |
| 2º Secretário | Dr. Fernando Nova |
| Tesoureiro | Dr. Waldemar Wettreich |
Levantamento cronológico de todos os mandatos presidenciais da Academia.
| Período | Presidente |
|---|---|
| 1972 – 1974 | Raymundo Edson de Araujo Leitão |
| 1974 – 1976 | Raymundo Edson de Araujo Leitão |
| 1976 – 1978 | Raymundo Edson de Araujo Leitão |
| 1978 – 1980 | Raymundo Edson de Araujo Leitão |
| 1980 – 1982 | Waldemar Bianchi |
| 1982 – 1984 | Raymundo Edson de Araujo Leitão |
| 1984 – 1986 | Luiz Soares Alencar |
| 1986 – 1988 | Orlando Massa Fontes |
| 1988 – 1990 | Raymundo Edson de Araujo Leitão |
| 1990 – 1992 | Nicolau Mega |
| 1992 – 1994 | Raymundo Edson de Araujo Leitão |
| 1994 – 1996 | Raymundo Edson de Araujo Leitão |
| 1996 – 1998 | Raymundo Edson de Araujo Leitão |
| 1998 – 2000 | Raymundo Edson de Araujo Leitão |
| 2000 – 2002 | Raymundo Edson de Araujo Leitão |
| 2002 – 2004 | Virmar Ribeiro Soares |
| 2004 – 2006 | Omar da Rosa Santos |
| 2006 – 2008 | Francisco Amarante Neto |
| 2008 – 2010 | Jayme Gouveia |
| 2010 – 2012 | Omar da Rosa Santos |
| 2012 – 2014 | Ney de Almeida Mello |
| 2014 – 2016 | Mauro Meirelles Pena |
| 2016 – 2018 | Mauro Meirelles Pena |
| 2018 – 2021 | Hilton Augusto Koch |
| 2021 – 2024 | Hilton Augusto Koch |
| 2024 – 2027 | Hilton Augusto Koch |
Na Assembléia foram escolhidos cinco acadêmicos para constituírem a comissão encarregada da redação dos Estatutos, que seriam novamente submetidos à Assembléia no dia 3 de abril.
Por ordem de assinatura no livro de atas da fundação
Fotografias históricas dos 24 médicos fundadores da ABMR
A escultura em mármore da Vitória de Samotrácia adorna o emblema oficial da academia. A obra retrata uma mulher grega alada comemorando a vitória de uma pequena frota grega sobre a poderosa marinha egípcia, há aproximadamente 2.200 anos, no Mar Egeu — servindo como metáfora da reabilitação como triunfo sobre a adversidade.
Este postulado fundamenta a filosofia de prática da reabilitação adotada pela ABMR desde sua fundação, refletindo o compromisso com a integralidade do cuidado ao paciente.
"Pertencer a esta academia proporciona notável oportunidade de interagir com colegas que ampliam significativamente meu conhecimento. Buscar o saber e ajudar o próximo representa o maior objetivo da vida."
"A história da academia se entrelaça com a trajetória de meu pai desde a fundação em 1972. Participar de uma organização dedicada à filosofia de reabilitação integral do indivíduo muito me honra e enriquece."
"A academia representa um santuário da ciência e da ética."
"Celebrar mais um aniversário ao lado de profissionais serenos e competentes, unidos por ideais nobres, traz alegria. A boa amizade se desenvolve pela convivência frequente."
"A essência da medicina envolve a reabilitação humana. O escopo multidisciplinar de nossa academia simboliza a arte da medicina."
"A participação acadêmica materializa a expectativa de uma vida inteira de atividade científica, enriquecimento intelectual e intercâmbio de experiências. Carrega também a obrigação de preservar e ampliar o legado dos predecessores."
"A participação acadêmica traz responsabilidade de compartilhar conhecimento, defender a ética e humanizar a relação profissional-paciente."
"Ideias filosóficas incompletas ganham completude pela fertilização de outros pensadores — as academias são o ambiente onde isso mais floresce."
"A academia representa o principal marco da vida do médico — coroando uma existência dedicada ao ensino, à pesquisa e à valorização do cuidado médico."
"Academia é alma e corpo — amálgama que expressa a forma completa da sabedoria; casa, lar, fraternidade da sabedoria humana e aroma sublime."